Como a Sinistralidade Está Transformando a Saúde Corporativa no Brasil
A sinistralidade na saúde corporativa é um tema que merece atenção. Como as empresas estão se adaptando a esse desafio crescente? Vamos explorar juntos!
A discussão sobre a sinistralidade na saúde suplementar brasileira deixou de ser um assunto apenas técnico para as operadoras e se tornou uma pauta estratégica crucial para departamentos de RH, finanças e gestão de pessoas. Empresas de todos os tamanhos estão sentindo diretamente o impacto do aumento dos custos assistenciais e da complexidade crescente do sistema de saúde.
Este artigo mergulha fundo no ecossistema de redução da sinistralidade no Brasil, analisando os principais atores, seus modelos de atuação e as estratégias que estão sendo usadas para enfrentar esse desafio estrutural. A investigação se aprofunda no papel das grandes corretoras de benefícios e das health techs, que são especializadas em dados, analytics e combate a fraudes.
A sinistralidade, também conhecida como Medical Loss Ratio (MLR), funciona como o principal indicador da saúde financeira das operadoras. Esse índice, que compara as despesas assistenciais com a receita das mensalidades, alcançou um pico histórico de 89,2% em 2022. Desde então, o setor começou a mostrar sinais de recuperação.
No período acumulado entre janeiro e setembro de 2025, a sinistralidade registrou uma queda para 81,9%, conforme dados da ANS. Esse ajuste contribuiu para um lucro líquido de R$ 17,9 bilhões no mesmo período, impulsionado tanto pela recomposição das mensalidades quanto por um resultado financeiro robusto, favorecido pelo cenário de juros elevados.
Apesar dessa melhora conjuntural, a pressão estrutural persiste. Estudos da consultoria L.E.K. indicam que reajustes acima da inflação, somados à crescente demanda dos departamentos de RH por controle de custos, criam um ambiente de transformação inevitável para toda a cadeia: operadoras, hospitais, distribuidores e empresas de tecnologia.
As grandes corretoras e consultorias de benefícios passaram por uma mudança significativa em seu posicionamento. O papel tradicional de apenas intermediar apólices evoluiu para uma atuação muito mais estratégica, com foco na gestão ativa da saúde corporativa.
Atualmente, essas organizações funcionam como verdadeiros centros de inteligência, combinando dados, tecnologia e equipes multidisciplinares para auxiliar as empresas no controle da sinistralidade e na otimização do uso dos planos de saúde. Veja alguns exemplos de como elas atuam:
Mais do que apenas negociar contratos, essas corretoras atuam em diversas frentes:
Esse reposicionamento transforma as grandes corretoras em peças-chave na governança do benefício saúde.
Enquanto as corretoras assumiram o papel de integradoras, as health techs surgem como o motor de disrupção do sistema. Utilizando inteligência artificial, big data e modelos preditivos, essas empresas atacam gargalos históricos da saúde suplementar.
Fraudes e desperdícios continuam sendo alguns dos principais fatores de pressão sobre os custos. Estimativas do IESS apontam perdas anuais entre R$ 30 bilhões e R$ 34 bilhões.
Nesse cenário, soluções baseadas em IA passaram a ter um papel decisivo. Plataformas capazes de analisar grandes volumes de dados, cruzar informações estruturadas e não estruturadas, e identificar padrões anômalos vêm aumentando significativamente a taxa de detecção de fraudes e pagamentos indevidos.
O benefício não está apenas na redução de perdas, mas também na escalabilidade e na padronização dos processos de auditoria, liberando equipes médicas para análises mais complexas. Empresas de tecnologia especializadas oferecem a principal linha de defesa:
Além do combate a fraudes, cresce uma nova camada de inteligência focada na gestão populacional. Essas health techs atuam entre empresas, operadoras e prestadores, redesenhando a jornada de cuidado com base em risco, previsibilidade e intervenção precoce.
Modelos preditivos de internação, identificação de pacientes de alto custo e o desenho de jornadas assistenciais mais eficientes permitem não apenas reduzir despesas, mas também melhorar desfechos clínicos – um ponto cada vez mais valorizado pelas empresas. Veja exemplos:
As operadoras continuam sendo protagonistas na gestão da sinistralidade, especialmente em duas frentes complementares.
A primeira envolve programas de prevenção e cuidado coordenado, voltados para pacientes crônicos, gestantes, idosos e populações de risco. A lógica é clara: reduzir eventos de alta complexidade por meio de acompanhamento contínuo e medicina preventiva. Iniciativas como Hapvida Qualivida, SulAmérica Saúde Ativa e Amil Cuidadosmil são exemplos que oferecem acompanhamento e promovem hábitos saudáveis.
A segunda frente é o compartilhamento de risco, com destaque para a coparticipação. Dados de mercado mostram que esse mecanismo incentiva o uso mais consciente do plano, reduz o tíquete médio e contribui para níveis historicamente mais baixos de sinistralidade. Segundo um estudo da FIESP, 72% das indústrias que adotam estratégias para reduzir custos utilizam a coparticipação. Dados da Qualicorp mostram que planos com este mecanismo têm um tíquete médio 26% menor e uma sinistralidade historicamente abaixo de 70%.
Embora fundamentais, essas estratégias tendem a gerar um impacto mais gradual e dependem fortemente da integração com outros agentes do ecossistema.
A análise do ecossistema revela um ponto central: não existe uma solução isolada para a redução sustentável da sinistralidade. Os melhores resultados surgem quando health techs, grandes corretoras e operadoras atuam de forma integrada.
A efetividade de cada um revela uma clara tendência:
O setor de saúde suplementar no Brasil enfrenta desafios contínuos, como a pressão crescente dos custos assistenciais, a complexidade regulatória e a persistência de fraudes e desperdícios. No entanto, esses desafios também abrem portas para grandes oportunidades. A adoção de tecnologias avançadas, a análise preditiva de dados e a criação de parcerias estratégicas são caminhos para otimizar a gestão, melhorar a qualidade do cuidado e garantir a sustentabilidade dos planos de saúde.
A capacidade de transformar dados em inteligência acionável e de integrar diferentes soluções é o que definirá as empresas mais resilientes e inovadoras neste cenário.
O futuro da gestão de saúde corporativa no Brasil não pertence a um único player, mas sim à colaboração inteligente entre dados, estratégia e cuidado. Empresas que compreendem essa lógica deixam de apenas reagir aos custos e passam a gerir o risco de forma ativa, preditiva e sustentável. A integração de soluções tecnológicas de ponta com a expertise de consultorias e a base de serviços das operadoras é o caminho para um ecossistema de saúde mais eficiente e benéfico para todos.
Fonte: Revista Cobertura
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