A crítica à nova campanha da Amil: entre emoção e surrealismo
A nova campanha da Amil levanta questões sobre a publicidade no setor de saúde. Será que a emoção exagerada realmente conecta com o público? Vamos explorar isso!
A Amil, sob a liderança de José Seripieri Junior, tem mostrado uma gestão interna exemplar, com cortes de custos e resultados financeiros positivos. No entanto, a nova campanha publicitária da operadora, com duração de 1 minuto e 52 segundos, parece seguir um caminho oposto, mergulhando em um melodrama que se distancia da sobriedade esperada e da realidade do setor de saúde.
O comercial, que se apresenta como “baseado em uma história real”, busca tocar o público pela emoção, mas acaba caindo no caricato. A escolha da música “Pai”, de Fábio Jr., já sinaliza uma aposta no sentimentalismo fácil. O problema não é a canção em si, mas como ela tenta sustentar uma narrativa que a atuação do elenco não consegue transmitir com credibilidade.
A interpretação do protagonista, em sua tentativa de expressar angústia, resulta em uma “careta de choro” que beira o cômico, dificultando a empatia do espectador. Um dos momentos mais questionáveis é a cena do bilhete da neta, que é descartado ou cai no corredor do hospital. Esse detalhe não só revela um descuido na direção, mas também projeta uma imagem de desleixo que contrasta com o ambiente organizado e asséptico que uma operadora de saúde deveria promover.
A publicidade no segmento de saúde exige um equilíbrio delicado entre a esperança e o realismo. A Amil, ao mostrar um paciente em estado terminal que se recupera de forma “milagrosa” após ler um bilhete, flerta perigosamente com o surrealismo. Há também uma contradição técnica evidente: em um momento, a mãe afirma que “criança não entra” na UTI, uma regra comum para controle de infecções. No minuto seguinte, essa regra é quebrada por um “desejo” do paciente, com a aprovação de uma equipe médica retratada com “carinhas de anjo”. Essa representação idealizada de médicos e enfermeiros se afasta do cotidiano exaustivo e técnico das UTIs, perdendo a chance de criar uma conexão genuína com quem realmente vivencia o ambiente hospitalar.
Talvez a crítica mais incisiva à campanha seja a escolha do protagonista: um idoso moribundo. Para quem acompanha o mercado de seguros, é difícil não perceber a ironia. Enquanto a publicidade utiliza a fragilidade do idoso para evocar lágrimas e vender uma imagem de acolhimento, a prática do setor mostra uma realidade bem diferente. Essa mesma faixa etária enfrenta as maiores barreiras para contratar planos, sofre com reajustes por sinistralidade agressivos e encontra enorme dificuldade para acessar novos convênios.
Comparar este comercial a uma obra de Salvador Dalí é uma analogia precisa. O vídeo é esteticamente bem-produzido, mas sua lógica é “derretida”. É uma tentativa de humanização que, por ser tão exagerada e mal executada, acaba se tornando desumana por ser inacreditável. A campanha, ao focar em um melodrama desconectado, perde a oportunidade de comunicar a eficiência e a seriedade que a nova gestão da Amil tem demonstrado internamente.
Fonte: Blog do Corretor
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