Como a reforma tributária redefine o papel do corretor de seguros

A reforma tributária impacta o papel do corretor de seguros, exigindo mais conhecimento técnico e estratégico.

A Reforma Tributária e o Novo Papel do Corretor de Seguros

A recente reforma tributária, embora não crie impostos novos ou aumente diretamente a carga sobre a corretagem de seguros, está provocando uma transformação profunda no mercado. Essa mudança exige uma nova postura das empresas e, consequentemente, do corretor de seguros, que precisa se adaptar a um cenário mais estratégico e técnico.

Como a Reforma Muda a Visão das Empresas sobre Seguros

No ambiente pós-reforma, as empresas enfrentam pressões nas margens de lucro e precisam reorganizar seus custos. Isso faz com que o seguro deixe de ser visto apenas como uma despesa. Agora, ele é encarado como uma ferramenta essencial para proteger o patrimônio, garantir a saúde financeira e assegurar a continuidade dos negócios. Rogério Araújo, sócio-proprietário da TGL Consultoria, destaca que essa nova perspectiva redefine o valor do corretor no relacionamento com clientes corporativos.

Com as margens mais apertadas, as decisões sobre seguros se tornam mais criteriosas. A escolha não se baseia só no preço, mas no impacto financeiro de um risco não coberto. As empresas revisam suas coberturas com mais atenção, eliminam redundâncias e priorizam riscos que realmente podem comprometer a operação. Perguntas estratégicas surgem: quais riscos podem parar o negócio? Quanto custa, de verdade, não ter uma certa cobertura?

A Evolução do Corretor: De Vendedor a Consultor Estratégico

Para atender a essa demanda mais sofisticada, o corretor de seguros precisa estar muito mais preparado tecnicamente. Não basta apenas gerar uma cotação; é preciso oferecer um diagnóstico consultivo e técnico. O corretor que se limita a vender apólices pode perder espaço, enquanto aquele com uma atuação estratégica ganha relevância.

O papel do corretor evolui de forma significativa. Ele deixa de ser um intermediário transacional para se tornar um “tradutor de riscos”, conectando a linguagem técnica à realidade do cliente. Além disso, atua como um apoio fundamental no planejamento, alinhando os seguros à estratégia geral do negócio, e como parceiro de contadores, advogados e da gestão da empresa. A abordagem muda: em vez de perguntar qual seguro o cliente quer, o corretor passa a discutir quais riscos a empresa pode ou não assumir.

Ramos de Seguro que Ganham Destaque

Nesse novo contexto, alguns tipos de seguro se tornam ainda mais importantes:

  • Seguro de Vida: Essencial para proteger financeiramente sócios, executivos e colaboradores-chave, além de apoiar o planejamento sucessório e societário.
  • Seguros de Responsabilidade Civil (Geral, Profissional e D&O): Ganham força devido ao aumento da exposição jurídica, regulatória, fiscal e trabalhista das empresas.
  • Seguros Patrimoniais e de Lucros Cessantes: Focam diretamente na preservação do fluxo de caixa e na continuidade das operações.
  • Saúde e Benefícios Corporativos: Continuam sendo estratégias cruciais para a retenção de talentos e como forma de remuneração indireta.

A Grande Oportunidade para o Corretor Preparado

Este cenário representa uma das maiores oportunidades da última década para a corretagem de seguros. A reforma tributária cria uma distinção clara entre o corretor que foca apenas em preço e produto (o “operacional”) e o corretor que se concentra em risco, estratégia e continuidade do negócio (o “consultivo”). Quem investir em conhecimento contábil e tributário, entender profundamente o negócio do cliente e souber fazer uma leitura financeira dos riscos, terá um espaço cada vez mais valorizado no mercado.

Fonte: www.segs.com.br

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