Como controlar custos na saúde suplementar sem perder a qualidade
Você já parou para pensar em como o controle de custos na saúde suplementar pode impactar a qualidade do atendimento? Neste artigo, vamos explorar como o custos saúde não precisam ser um vilão, mas sim um aliado na busca por um sistema mais eficiente e humano.
A discussão sobre como gerenciar os gastos na saúde suplementar se tornou um tema constante, especialmente quando o orçamento fica apertado. Essa conversa é fundamental para a sustentabilidade do setor, já que os recursos financeiros são limitados. O grande desafio é atuar em todas as frentes possíveis, sempre protegendo a qualidade do atendimento, o acesso dos pacientes e a eficiência das operações. Se não abordarmos esses três pilares juntos, a evolução necessária pode não acontecer na velocidade que precisamos.
André Machado Júnior, CEO da Maida Health, com mais de duas décadas de experiência na gestão de saúde, afirma que o sistema não encareceu apenas porque os pacientes utilizam os serviços em excesso. Na verdade, o alto custo se deve a um cuidado desorganizado, que muitas vezes é tardio, mal coordenado e carece de integração tecnológica.
A Maida Health possui dados que reforçam essa perspectiva. Em 2025, a empresa regulou mais de 100 milhões de solicitações de atendimento em saúde por todo o Brasil. Além disso, realizou mais de 120 mil visitas a pacientes internados e auditou mais de R$7 bilhões em faturamento hospitalar. Esse volume expressivo oferece uma visão clara do que realmente pressiona os custos. Na maioria dos casos, não são decisões clínicas complexas, mas sim: internações que se prolongam por falta de cuidado prévio, falhas na comunicação entre as equipes, ausência de acompanhamento contínuo, falta de integração dos prontuários eletrônicos, cuidado não baseado nas condições de saúde e processos que não se conectam.
O debate frequentemente cai em uma armadilha perigosa: ou se corta gastos, ou se preserva o cuidado. Essa falsa escolha só aparece quando não se estimula o cuidado continuado, a longo prazo, com integrações e protocolos bem definidos. Por isso, precisamos focar na transformação digital, no empoderamento e estímulo ao autocuidado, e em uma melhor eficiência assistencial. Afinal, eficiência assistencial não significa restringir o acesso, mas sim garantir que o paciente receba o cuidado adequado, no tempo correto e no ambiente certo. Quando isso não acontece, o sistema paga duas vezes — financeiramente e no desgaste da saúde das pessoas. Esse desgaste se manifesta claramente no adoecimento e na experiência do usuário, refletindo-se no aumento de judicializações e conflitos na saúde suplementar e até na saúde pública.
Para mudar esse cenário, é essencial investir em uma jornada integrada de cuidado, na organização dos processos, programas de cuidado e protocolos, e na transformação digital da saúde. A tecnologia tem um papel fundamental nisso, mas é importante lembrar que a verdadeira transformação digital não é apenas acumular ferramentas; é mudar a forma de trabalhar. Isso significa integrar dados, processos e pessoas para que as decisões sejam tomadas antes que os problemas se tornem crises. Quando a tecnologia é incorporada à rotina de regulação, auditoria e acompanhamento clínico, ela deixa de ser uma promessa e se torna um resultado concreto. A lição de 2025 é clara: a saúde suplementar não se sustentará fazendo as mesmas coisas. Precisamos organizar o cuidado, olhar para o longo prazo e parar de apenas “apagar incêndios”. Esse será, com toda a certeza, o diferencial dos negócios envolvidos neste setor.
Fonte: Revista Cobertura
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