Hapvida enfrenta desafios em 2026 com perdas de beneficiários

A Hapvida inicia 2026 enfrentando desafios significativos, com perdas de beneficiários que levantam preocupações sobre seu desempenho futuro. Vamos explorar o que isso significa para a operadora e o setor de saúde.

Hapvida: Um Início de Ano com Desafios e Contradições

O ano de 2026 começou com um cenário misto para a Hapvida (HAPV3). Apesar de suas ações terem registrado uma alta de 3,16%, alcançando R$ 15,65 às 10h51 (horário de Brasília) em 6 de janeiro de 2026, os dados operacionais divulgados pela Agência Nacional de Saúde (ANS) para novembro de 2025 indicam que a operadora de saúde continua a enfrentar dificuldades. As perdas de beneficiários persistem, especialmente na região de São Paulo, o que gera cautela entre os analistas em relação aos resultados do quarto trimestre de 2025.

O Cenário Crítico das Perdas em São Paulo

A análise dos números de novembro de 2025 revela que a Hapvida registrou uma perda líquida de 18 mil beneficiários. Esse movimento eleva o total de desligamentos para 35 mil no acumulado do trimestre até aquele momento, sinalizando um desempenho mais fraco para o 4T25. O Goldman Sachs apontou que a companhia tem encontrado obstáculos para reverter a tendência de queda no número de usuários, principalmente no estado de São Paulo, onde cerca de 20 mil pessoas deixaram a operadora em novembro. Essa situação é vista como um reflexo dos desafios na integração da NotreDame Intermédica (NDI), apesar dos esforços comerciais empreendidos na região.

Detalhando as perdas, a Hapvida Assistência Médica viu uma redução líquida de 2 mil beneficiários em novembro, somando uma queda de 6 mil no trimestre, o que representa um recuo de 0,1% no período. Já a NDI Saúde perdeu 4 mil usuários no mês e 9 mil no acumulado trimestral. A Bio Saúde também contribuiu para o resultado negativo consolidado, com a Região Metropolitana de São Paulo sendo o principal foco de pressão, conforme observou o Itaú BBA.

A Visão do Goldman Sachs: Cautela e Monitoramento

O Goldman Sachs, em sua análise, reforçou a percepção de um desempenho aquém do esperado por parte da Hapvida. O banco sublinhou as dificuldades da empresa em São Paulo, atribuindo-as aos desafios de integração da NotreDame Intermédica. Apesar do cenário, o Goldman Sachs mantém sua projeção de adição líquida de 14 mil beneficiários para o quarto trimestre de 2025, mas ressalta que continuará atento a quaisquer sinais de melhora na região Sudeste. Essa postura indica que, embora haja uma expectativa de recuperação, a concretização ainda depende de uma inflexão operacional clara.

O Contraste no Mercado: Amil, Rede D’Or, Bradesco Saúde, Qualicorp e OdontoPrev

Enquanto a Hapvida enfrenta turbulências, outras operadoras de saúde apresentaram resultados mais animadores. A Amil, por exemplo, demonstrou um crescimento robusto, adicionando 51 mil beneficiários em novembro de 2025 e totalizando 65 mil no trimestre. Esse avanço foi notavelmente concentrado em São Paulo, com 30 mil novas adesões, e no Rio de Janeiro, com 11 mil. O Goldman Sachs interpretou esse movimento como uma postura comercial mais agressiva da Amil em 2025, após um período em 2024 focado na recuperação da rentabilidade.

A SulAmérica, parte da Rede D’Or (RDOR3), também registrou números positivos. Excluindo as operações de ASO (Administração de Serviços de Saúde), a empresa adicionou 26 mil beneficiários em novembro, impulsionada por um forte desempenho em São Paulo. O Goldman Sachs mantém uma visão construtiva para a Rede D’Or, prevendo um crescimento da base de beneficiários de 5% em 2025 e 4% em 2026, com uma expectativa de 40 mil adições líquidas no 4T25. O BTG Pactual considera a Rede D’Or sua “Top Pick” no setor, destacando seu crescimento nos segmentos hospitalar e de seguros, além de melhorias na rentabilidade e múltiplas oportunidades de M&A.

A Bradesco Saúde reportou a adição líquida de 32 mil beneficiários em novembro (excluindo ASO), somando 99 mil no trimestre. Contudo, o Goldman Sachs e o BTG alertam para possíveis distorções nos dados da ANS, com uma taxa de cancelamento (churn) que parece estar abaixo da média histórica, o que poderia inflar esses números.

No caso da Qualicorp (QUAL3), novembro foi um mês de estabilidade, com adições líquidas praticamente neutras. Apesar de um saldo de 16 mil novas contratações líquidas negativas (ou 17 mil após ajustes para nove operadoras), o Goldman Sachs vê a estabilização da base como um ponto positivo, com o churn sob controle, embora concentrado em contratos ligados à Hapvida e Unimed-FERJ.

Por fim, no segmento odontológico, a OdontoPrev (ODPV3) manteve sua liderança com 26,7% de participação de mercado em novembro. A empresa adicionou 76 mil beneficiários no mês e 135 mil no trimestre, beneficiando-se de um setor em expansão. Amil e SulAmérica também estão capitalizando esse crescimento, possivelmente através de estratégias de venda cruzada (cross-sell) entre planos de saúde e odontológicos.

As Implicações das Perdas para o Quarto Trimestre

A sequência de perdas de beneficiários observada até novembro de 2025, totalizando 35 mil no trimestre, projeta um cenário desafiador para os resultados da Hapvida no quarto trimestre de 2025. Essa tendência de queda, especialmente acentuada em São Paulo, reforça a postura de cautela dos analistas de mercado. A capacidade da operadora de reverter esse quadro e apresentar um desempenho mais robusto no fechamento do ano fiscal será crucial para a percepção do mercado e para a confiança dos investidores.

Perspectivas Futuras para a Hapvida

As expectativas para a Hapvida no futuro próximo permanecem sob um olhar atento. O Goldman Sachs, embora mantenha uma projeção de adição líquida para o 4T25, enfatiza a necessidade de monitorar sinais de inflexão, especialmente na região Sudeste. O Bradesco BBI classificou os números de novembro como negativos, sem indicar melhoria em relação a outubro. Já o BTG Pactual observou que as perdas da Hapvida estão concentradas em São Paulo, embora parcialmente compensadas por ganhos no Distrito Federal. Para o Itaú BBA, o mês de novembro foi mais um período desafiador para a operadora, com as operações em São Paulo sendo o principal ponto de preocupação. A capacidade da Hapvida de superar os desafios de integração e de retenção de clientes será determinante para sua trajetória em 2026 e além.

O Dinamismo do Setor de Saúde Suplementar no Brasil

O panorama geral do setor de saúde suplementar no Brasil em 2026 se mostra bastante dinâmico e competitivo. Enquanto algumas operadoras, como Amil e SulAmérica, demonstram forte crescimento e estratégias comerciais agressivas, outras, como a Hapvida, enfrentam desafios significativos na retenção de beneficiários e na integração de operações. A Bradesco Saúde, apesar de números expressivos, levanta questões sobre a consistência dos dados de churn. Já a Qualicorp busca estabilização, e a OdontoPrev consolida sua liderança no segmento odontológico.

Esse cenário complexo reflete as pressões regulatórias, a busca por rentabilidade e a intensa concorrência. As operadoras que conseguirem se adaptar mais rapidamente às demandas do mercado, otimizar suas operações e oferecer produtos mais eficientes, como planos com coparticipação e redes restritas, tendem a se destacar. A capacidade de inovação e de gestão eficiente será crucial para o sucesso das empresas no setor de saúde brasileiro nos próximos anos.

Fonte: InfoMoney

Givanildo Albuquerque

Givanildo é um empreendedor com destaque nos setores de Seguros, Negócios Digitais e Mundo Fitness, com foco em Marketing Digital, SEO, Tráfego Pago e Geração de Leads. À frente da LeadMark, uma empresa com 15 anos de experiência, ele comanda uma operação robusta que atende mais de 30 mil corretores em todo o Brasil, com presença em 23 estados e a geração de 60 mil leads por mês.

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